segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Novos Processos de Trabalho













A História recente tem vindo a registar um fenómeno de aceleração que consiste num constante e intenso incremento da velocidade e na mudança dos processos de comunicação e produção em geral. Com efeito, durante milénios as comunicações foram lentas e difíceis, tornando as trocas comerciais raras e onerosas e os próprios processos de produção reduzidos muitas vezes a um mínimo exigido pelo limiar da sobrevivência, muito longe dos actuais parâmetros da produção industrial em série e da sociedade de consumo.
Mas esta sociedade de produção e consumo em massa, ao tornar-se num paradigma planetário tem, ela própria, vindo a evoluir vertiginosamente, implicando da parte da força de trabalho constantes adaptações, nomeadamente na descodificação e operacionalização da informação - processos vitais a investir no circuito da própria produção, que começa por ser, cada vez mais, produção de informação.
Os novos processos de trabalho assentam na automação da produção, na disseminação e no controle da informação por meios electrónicos e pela robótica industrial. Também hoje são cada vez mais vulgares os processos de tele-trabalho possibilitados pela utilização produtiva das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação).
Estas novas realidades têm vindo a alterar substancialmente o modo como se vive e convive e até a criar algumas novas perturbações da sociabilidade; por isso teremos que criar novas formas de compensar o vazio induzido por uma certa “desrealização” do mundo provocada pela irrupção brusca e descontrolada do “virtual” na nossa vida.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Intervenção Pedagógica em Crianças com NEE




Foi estabelecido em 1992, pela American Association for Mental Retardation e aceite por órgãos oficiais no mundo inteiro, que o quoficiente de inteligência (QI) é considerado apenas um dos indicativos para o diagnóstico diferencial. A deficiência mental implica limitações essenciais no desempenho intelectual da pessoa, manifestas até os 18 anos, e é caracterizada pela combinação do funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, no caso um Q.I. igual a 70- 75, com limitações relacionada com limitações na conduta adaptativa em duas ou mais das seguintes áreas : comunicação, cuidados pessoais, vida escolar, habilidades sociais, desempenho na comunidade.
Muito comum também é o desconhecimento, por parte dos profissionais, de que existem graus de deficiência mentais moderados e leves que estão, ou podem estar, integrados no sistema regular de ensino, participando com poucas ou nenhumas restrições nas atividades sociais apropriadas  para a sua idade cronológica.
Diversos autores têm apontado que o nível de funcionamento e adaptação social destes indivíduos não provém apenas de fatores internos, mas sobre tudo da falta da comportamentos apropriados no seu repertório (conjunto de aptidões ou "skills")  devido ao tipo de socialização e educação que estes recebem, principalmente a maneira estereotipada como são tratados pelos demais.
A partir do momento em que uma pessoa recebe o diagnóstico de deficiente mental todas as suas características, potencialidades e atributos são subestimados; a sua vida fica restrita a situações “protegidas”, devido ao estigma, todas as atitudes e comportamentos destes indivíduos, assim como a sua expressão de sentimentos e desejos, serão para sempre vistas a partir do referencial da “anormalidade”, excluindo-se assim do seu convívio todos aqueles que não receberam treino especifico para lidar com esta "clientela". No entanto e quando proporcionadas as condições adequadas, o deficiente mental, como qualquer outra pessoa, pode crescer emocionalmente, transformar a sua maneira de estar no mundo, e consequentemente  aumentar a sua auto-estima e expandir a sua esfera de relacionamento humano.
Sob esse prisma, o papel do psicólogo no atendimento ao deficiente mental intensifica-se. Este deixa de apenas apontar e qualificar o grau de desvio, para buscar estratégias que possibilitem e incrementem o crescimento interno, a autonomia e a independência pessoal. Deve ser dada a devida tenção ao desenvolvimento de condutas e habilidades que facilitem a adequação desse individuo às normas sociais, aumentando as suas possibilidades de integração social e profissional.

5. EDUCAÇÃO PRÉ – ESCOLAR PARA CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
A validade da educação especial justifica-se na certeza da importância da educação para todos. Assim para alguns, ela deve desenvolver-se de forma especial, para atender às diferenças individuais dos alunos, através da diversificação dos serviços educacionais.
A educação consiste num trabalho que visa desenvolver as oportunidades para que cada um venha a ser uma pessoa em toda a sua plenitude, apoiando-se nos recursos da pessoa, mediante a consideração das suas necessidades e debilidades, das suas forças e esperanças. O princípio educativo está na capacidade de crescimento do ser humano, que é ilimitada.
As crianças com necessidades especiais são aquelas que, por alguma espécie de limitação requerem certas modificações ou adaptação no programa educacional que lhes permita atingir o seu potencial máximo. Essas limitações podem decorrer de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores, bem como de condições ambientais (económicas, sociais,culturais e afectivas) desfavoráveis.
A presença de necessidades educativas especiais é o factor que irá indicar se o aluno deve receber educação especial, e não apenas a presença de uma deficiência ou sobredotação, pois, a existência de uma deficiência não torna obrigatório que o seu portador tenha que ser excluído dos processos comuns de educação.
Diagnóstico e Classificação: Os termos diagnóstico, classificação, avaliação e testagem, são utilizados e definidos de diferentes maneiras nas várias áreas: médica, psicológica, educacional.
5.1. TODO  O DIAGNÓSTICO TEM DUAS FUNÇÕES BÁSICAS
     Localizar e analisar as causas das dificuldades dos alunos em todas as áreas das suas atividades,

Identificar e avaliar as áreas de aprendizagem e ajustamento, tanto as positivas, como as negativas.

5.2. CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS ALUNOS ESPECIAIS
São inúmeras as desvantagens e desvios existentes na classificação de pessoas em categorias, mas acabam  por tornar-se necessárias principalmente do ponto vista da administração do Sistema Educacional.
1.Excepcionais intelectuais:
1.1. Sobredotados
1.2. Deficientes mentais
a) Educáveis
b) Treináveis
c) Dependentes
2. Excepcionais físico-sensoriais:
2.1. Deficientes físicos não sensoriais
2.2. Deficientes físicos sensoriais
a) Deficientes auditivos
b) Deficientes visuais
3. Excepcionais psicossociais:
3.1. Alunos com distúrbios emocionais
3.2. Alunos com desajustes sociais
4. Excepcionalidade múltipla
4.1. Alunos com mais de um tipo de desvio
5.3. ALGUNS RECURSOS EDUCACIONAIS MAIS ENCONTRADOS
1. Ensino Itinerante:
Prestação de serviços, por um professor especializado, que visita várias escolas comuns que recebem alunos excepcionais. Tanto para professores com para alunos.
2. Sala de Recursos:
E uma sala que conta com materiais e equipamentos especiais, na qual o professor especializado, fixo na escola, auxilia os alunos nos aspectos específicos em que precisam de ajuda para manter a classe comum.
3. Classe Especial:
Instalada em classe comum, caracteriza-se pelo agrupamento de alunos classificados com o mesma categoria de excepcionalidade, que estão sob a responsabilidade de um professor especializado.
4. Escola Especial ou Educação Especial:
É aquela que foi organizada para atender especifica e exclusivamente alunos excepcionais. Algumas atendem apenas um tipo de excepcionalidade, outras atendem diferentes tipos.

Crescimento e Desenvolvimento



1.0 INTRODUÇÃO:


O desenvolvimento humano deve ser entendido como um processo global. É um termo amplo que se refere a todos os processos de mudança pelos quais as potencialidades de um indivíduo se desdobram como novas habilidades, qualidades, traços e características correlacionadas. Inclui os ganhos de longo prazo e relativamente irreversíveis do crescimento, maturação, aprendizagem e realização.


O crescimento é um dos componentes do desenvolvimento e significa divisão celular com consequente aumento da massa corpórea. O crescimento pode ser medido através da balança, da fita métrica e de outros instrumentos, como o adipómetro (aparelho que mede a gordura subcutânea).


O desenvolvimento pode ser analisado sob quatro aspectos:

Aspecto físico–motor: refere–se ao crescimento orgânico, à maturação neuro-fisiológica, à capacidade de manipulação de objectos e de exercícios  com a utilização do próprio corpo.

Aspecto intelectual: é a capacidade de pensamento, de raciocínio.

Aspecto afectivo–emocional: é o modo particular de o indivíduo integrar as suas experiências. É o sentir. A sexualidade faz parte desse aspecto. 

Aspecto social: é a maneira como o indivíduo reage diante das situações que envolvem outras pessoas.


Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que esses quatro aspectos são indissociáveis, mas elas podem enfatizar aspectos diferentes, isto é, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos aspectos (o intelectual em Piaget; o afectivo-emocional em Freud; o social em Erikson).


2.0 DESENVOLVIMENTO:

2.1 – Factores de crescimento e desenvolvimento

2.1.1 – Factores genéticos:

 A herança genética (património genético ou hereditariedade)) é a propriedade dos seres vivos transmitirem as suas características à descendência. O material que inicia a vida consiste no citoplasma e núcleo do ovo fertilizado. O núcleo contém os genes, metade recebidos do pai e metade da mãe, que se localizam nos cromossomas. Todas as características do indivíduo estão na dependência dos genes herdados, incluindo o crescimento e o desenvolvimento.
As particularidades individuais do organismo condicionadas pela herança formam o que se denomina constituição e portanto a predeterminação atrás referida é um aspecto constitucional e como tal escapa à acção de qualquer procedimento modificador de ordem médica.
A herança genética (hereditariedade) é responsável não somente pela ampla variação dos atributos normais da espécie (cor dos olhos, cor dos cabelos, estatura, forma corporal, etc.), mas também pela transmissão de genes anormais capazes de alterar o ritmo de crescimento e desenvolvimento (trissomia 21, hemofilia, etc.).
2.1.2– Factores neuro-endócrinos:

Os sistemas nervoso e endócrino interagem de maneira complexa. O cérebro, principalmente via hipotálamo, regula a secreção de hormonas, que por sua vez agirão retroactivamente sobre o encéfalo modificando a sua actividade.
O hipotálamo age como um centro receptor e distribuidor de mensagens, controlando a função hipofisária na produção e libertação de hormonas tróficas, permitindo a actividade normal de todas as glândulas do organismo e ordenando os impulsos dos órgãos terminais efectores.
Alguns núcleos hipotalâmicos já foram identificados como responsáveis por funções neuro-endócrinas de grande interesse em pediatria, como é o caso do crescimento. O facto de que lesões hipotalâmicas podem alterar o crescimento e o desenvolvimento da criança é demonstrado por inúmeros exemplos na clínica: puberdade precoce, puberdade atrasada, anomalias do crescimento, hipogonadismo hipogonadotrófico, diabetes insípido, hipertiroidismo hipotalâmico.

2.1.3 – Factores Nutricionais:

Têm–se dito que crescer é sinónimo de proteinizar, isto é, reter nitrogénio (azoto). A proteína é o único material, insubstituível e fundamental do crescimento e da reconstrução incessante. A albumina leva em si a excelência do crescimento. O nitrogénio como elemento específico de crescimento não se acumula em depósitos como ocorre com os hidratos de carbono e as gorduras, mas destina–se na sua quase totalidade à histogénese (desenvolvimento dos tecidos orgânicos).
Os hidratos de carbono constituem a fonte de energia mais comum e mais barata, de fácil digestão e absorção desde o início da vida.
As gorduras, além de serem fonte poderosa de energia, constituem material indispensável para a constituição do protoplasma, são veículos de vitaminas lipossolúveis, contribuem para o sabor dos alimentos e para a sensação de saciedade, são essenciais para a síntese de esteróides.
Quanto aos minerais, a criança necessita de pelo menos 12 minerais em quantidade adequada para formação de novos tecidos.

2.2 – Delimitação dos grupos etários:
O período total de crescimento e desenvolvimento está dividido em duas etapas fundamentais separadas pelo momento obstétrico (parto): período pré – natal e pós-natal. O momento obstétrico representa talvez a experiência mais perigosa de toda a vida de um indivíduo. Entretanto, o feto encontra-se preparado para o enfrentar. Há um revestimento de gordura suficiente para proteger as suas vísceras e assim o defender do frio extra-uterino, as suas articulações são dotadas de grande amplitude de movimentação e o seu cérebro é mais resistente à anóxia  (privação de oxigénio) do que em qualquer outra fase da vida extra uterina.


A divisão etária do período de crescimento e desenvolvimento adoptada nos Departamentos de Pediatria das Faculdades de Medicina é a seguinte:

Período pré – natal:

- embrionário: primeiro trimestre


- fetal precoce: segundo trimestre


- fetal tardio: terceiro trimestre

Período pós – natal:

- neonatal: 0 a 28 dias
 
- infância:

- lactente dos 29 dias aos 2 anos exclusive

- pré-escolar: dos 2 anos aos 6 anos exclusive

- escolar: dos 6 anos aos 10 anos exclusive

- adolescência:

- pré-puberal: 10 anos aos 12 – 14 anos

- puberal: 12 – 14 anos aos 14 – 16 anos

- pós-puberal: 14 – 16 anos aos 18 – 20 anos

3.0 CONCLUSÃO

O indivíduo desenvolve controle neuromuscular, destreza e traços de carácter, funções que só podem ser medidas por meio de testes ou provas funcionais. Maturação e diferenciação são muitas vezes termos empregues como sinónimos de desenvolvimento.

Crescimento e desenvolvimento constituem a resultante final da interacção de um conjunto de factores, que podem ser divididos em extrínsecos (ambientais) e intrínsecos (orgânicos). Entre os factores extrínsecos essenciais para o crescimento encontram-se a ingestão de dieta normal, a actividade física e toda a estimulação bio-psico-socio-cultural (ambiental no sentido "humano"). Os factores intrínsecos são representados fundamentalmente pela herança genética (património hereditário) e pelo sistema neuro-endócrino (sistema nervoso, em toda a sua complexidade, e glandular interno).
 
Márcio Amorim (adaptado por António José Ferreira)


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erik Erikson




Erik Homburger Erikson (Frankfurt, Alemanha, 15 de Junho de 1902 — Harwich, Estados Unidos,
12 de Maio de 1994) foi um psiquiatra responsável pelo desenvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial na Psicologia e um dos teóricos da Psicologia do Desenvolvimento.


 Começou a sua vida como artista plástico. Em 1927, depois de estudar arte e viajar pela Europa, passou a leccionar em Viena a convite de Anna Freud, filha de Sigmund Freud. Sob orientação dela, submeteu-se à psicanálise e tornou-se, ele próprio, psicanalista, embora tenha tecido criticas à psicanálise por esta não ter em conta as interacções entre o indivíduo e o meio, assim como por privilegiar os aspectos patológicos e defensivos da personalidade. No início da carreira, o interesse de Erikson centrou-se na adolescência. Deve-se a Erikson a expressão "crise da adolescência".
A teoria do desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson prediz que o crescimento psicológico ocorre através de estágios e fases, não ocorre ao acaso e depende da interacção da pessoa com o meio que a rodeia. Cada estágio é atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma vertente negativa. As duas vertentes são necessárias mas é essencial que se sobreponha a positiva. A forma como cada crise é ultrapassada ao longo de todos os estágios irá influenciar a capacidade para se resolverem conflitos inerentes à vida. Esta teoria concebe o desenvolvimento em 8 estágios, um dos quais se situa no período da adolescência:

Estágios de desenvolvimento (as oito idades do Homem)

O primeiro estágio (0 – 18 meses) – confiança x desconfiança – ocorre aproximadamente durante o primeiro ano de vida. A criança adquire ou não uma segurança e confiança em relação a si próprio e em relação ao mundo que a rodeia, através da relação que tem com a mãe. Se a mãe não responde às suas necessidades, a criança pode desenvolver medos, receios, sentimentos de desconfiança que poderão vir a reflectir-se nas relações futuras. Se a relação é de segurança e as suas necessidades são satisfeitas, a criança vai ter melhor capacidade de adaptação às situações futuras, às pessoas e aos papéis socialmente requeridos.

O segundo estágio (18 meses – 3 anos) – autonomia x dúvida e vergonha – é caracterizado por uma contradição entre a vontade própria (os impulsos) e as normas e regras sociais que a criança tem que começar a integrar. É altura de explorar o mundo e o seu corpo e o meio deve estimular a criança a fazer as coisas de forma autónoma, não sendo alvo de extrema rigidez, que deixará a criança com sentimentos de vergonha. De facto, afirmar uma vontade é um passo importante na construção de uma identidade.

O terceiro estágio (3 – 6 anos) – iniciativa x culpa – é o prolongamento da fase anterior mas de forma mais amadurecida: a criança já deve ter capacidade de distinguir entre o que pode fazer e o que não pode fazer. Este estágio marca a possibilidade de tomar iniciativas sem que se adquire o sentimento de culpa: a criança experimenta diferentes papéis nas brincadeiras em grupo, imita os adultos, têm consciência de ser “outro” que não “os outros”, de individualidade. Deve-se estimular a criança no sentido de que pode ser aquilo que imagina ser, sem sentir culpa.

O quarto estágio (6 -12 anos) – indústria x inferioridade – decorre na idade escolar antes da adolescência. A criança percebe-se como pessoa trabalhadora, capaz de produzir, sente‑se competente. Neste estágio, a resolução positiva dos anteriores tem especial relevância: sem confiança, autonomia e iniciativa, a criança não poderá afirmar-se nem sentir-se capaz. O sentimento de inferioridade pode levar a bloqueios cognitivos e a atitudes regressivas: a criança deverá conseguir sentir-se integrada na escola, uma vez que este é um momento de novos relacionamentos interpessoais importantes.

O quinto estágio (12 – 18 anos) – identidade x confusão de identidade – marca o período da adolescência. É neste estágio que se adquire uma identidade psicossocial: o adolescente precisa de entender o seu papel no mundo e tem consciência da sua singularidade. Há uma recapitulação e redefinição dos elementos de identidade já adquiridos – esta é a chamada crise da adolescência. Factores que contribuem para a confusão da identidade são: perda de laços familiares e falta de apoio no crescimento; expectativas parentais e sociais divergentes do grupo de pares; dificuldades em lidar com a mudança; falta de laços sociais exteriores à família (que permitem o reconhecimento de outras perspectivas) e o insucesso no processo de separação emocional entre a criança e as figuras de ligação.

O sexto estágio (Aprox. 18 – 30 anos) – intimidade x isolamento – A tarefa essencial deste estágio é o estabelecimento de relações íntimas com outras pessoas. A vertente negativa é o isolamento, pela parte dos que não conseguem estabelecer compromissos nem troca de afectos com intimidade.

O sétimo estágio (30 – 60 anos) generatividade x estagnação – é caracterizado pela necessidade em orientar a geração seguinte, em investir na sociedade em que se está inserido. É uma fase de afirmação pessoal no mundo do trabalho e da família. A vertente negativa leva o indivíduo à estagnação nos compromissos sociais, à falta de relações exteriores, à centralização em si próprio.

O oitavo estágio (após os 65 anos) – integridade x desespero – ocorre a partir dos 65 anos e é favorável uma integração e compreensão do passado vivido. Quando se renega a vida, se sente fracassado pela falta de poderes físicos, sociais e cognitivos, este estágio é mal ultrapassado.

Crise da Adolescência
Para que ocorra, são necessárias as seguintes condições: um certo nível de desenvolvimento intelectual, a ocorrência da puberdade, um certo crescimento físico e pressões culturais que levem o adolescente à efectiva ressíntese da sua identidade. Para além das mudanças físicas já referidas acima, o adolescente adquire também a capacidade de operações formais e raciocínio abstracto. O pensamento formal constitui a capacidade de reflectir acerca do seu próprio pensamento e do pensamento dos outros. O raciocínio abstracto permite colocar hipóteses, conceber teorias e opera com proposições.
É fundamental que ocorra o chamado período de moratória, em que o jovem tem possibilidades de explorar hipóteses e escolher caminhos. De facto é nesta altura que vários agentes de socialização exercem pressão para o assumir responsabilidades e para a tomada de decisões, principalmente do foro escolar e profissional. Erikson considera que a moratória institucionalizada – rituais sociais para a entrada na idade adulta, como a escolha da área profissional no ensino escolar – facilitam a preparação para a aquisição de papéis na sociedade. Por outro lado, um contexto social não estruturado pode levar a uma crise de identidade. Como não é possível separar a crise de identidade individual com o contexto histórico da sociedade em que se insere o indivíduo, momentos de crise como guerras, epidemias e revoluções influenciam o adolescente em larga escala, quanto aos seus valores morais, por exemplo.
Os outros têm um importante papel na definição da identidade: o jovem vê reflectido no seu grupo de amigos parte da sua identidade e preocupa-se muito com a opinião dos mesmos. Por vezes, procura amigos com “maneiras de estar” divergentes daquela em que cresceu, de forma a poder pôr em causa os valores dos pais, testando possibilidades para construir a sua própria “maneira”. O grupo permite um jogo de identificações e a partilha de segredos e experiências essenciais para o desenvolvimento da personalidade.
Segundo Erikson, o adolescente que adquire a sua identidade é aquele que se torna fiel a uma coerente interacção com a sociedade, a uma ideologia ou profissão, que é também uma tarefa deste estágio. A fidelidade permite ao indivíduo a devoção a uma causa – compromisso com certos valores. Também permite confiar em si próprio e nas outras pessoas, como tal, a interacção social é fundamental. A formação de identidade envolve a criação de um sentido de unicidade: a unidade da personalidade é sentida por si e reconhecida pelos outros, como tendo uma certa consistência ao longo do tempo.

Wikipedia, adaptado por António José Ferreira

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Educação Sexual nas Crianças com Necessidades Educativas Especiais





Educação Sexual

Introdução

As orientações nacionais do Ministério da Educação referentes à organização curricular, deverão incluir a referência à necessidade de cada escola programar e implementar acções e programas de Educação Sexual a nível curricular e extra-curricular, aproveitando ou criando espaços, tais como: a Formação Cívica, a Área de Projecto, o Desenvolvimento Pessoal e Social, entre outros. Então, cada escola, deverá integrar estas orientações nacionais no seu Projecto Educativo e criar um núcleo responsável pela aplicação do nº2 do Artº47 da LBSE e legislações complementares.
A Educação Sexual é cada vez mais uma necessidade nas escolas. (quer do Ensino Especial quer no Ensino Regular). Desta forma, é necessário um trabalho conjunto entre Encarregados de Educação, Professores, Média e todos os outros intervenientes na educação da criança/ jovem, no sentido de possibilitar um maior esclarecimento nesta área, favorecendo assim um desenvolvimento mais harmonioso e saudável.
Falar de Educação Sexual é falarmos do nosso corpo, na forma como nos expressamos dos nossos sentimentos e emoções. A Educação Sexual compreende diversos aspectos da sexualidade e das relações que estabelecemos com os outros e connosco (Enquanto seres sexuados e dotados de uma identidade sexual).
A Educação Sexual desempenha um papel de extrema importância na promoção da auto-estima, afirmação pessoal e desenvolvimento da personalidade.

Educação Sexual na Deficiência Mental

O deficiente mental, como qualquer ser humano tem necessidade de expressar os seus sentimentos de uma forma própria.
A repressão da sexualidade nestes indivíduos pode alterar o seu equilíbrio interno. Por outro lado, a sexualidade devidamente orientada melhora o desenvolvimento afectivo e favorece a sua capacidade de se relacionar, melhorando a auto-estima e a adequação à sociedade.
A discussão do tema sexualidade na nossa sociedade vem sempre acompanhada de preconceitos e discriminações.
Quando o tema passa a ser – sexualidade na deficiência mental – os preconceitos e as discriminações mencionados anteriormente intensificam-se e geram alguma polémica no que diz respeito às diferentes formas de abordá-lo.
Apesar das diferenças entre os deficientes quase todos são capazes de aprender a desenvolver algum nível de aptidão social e de conhecimento sexual.
Podendo incluir ainda, a habilidade para diferenciar os comportamentos apropriados e não apropriados (assim como para desenvolver um senso de responsabilidade no que se refere aos cuidados de nível pessoal e de relacionamento com os outros).
Vários autores que se debruçam ao estudo desta problemática discutem diversas crenças existentes na nossa sociedade, tais como: crê-se que os jovens com deficiência não são sexualmente activos (embora alguns adolescentes, com deficiência profunda possam ser menos aptos que os seus pares para serem sexualmente activos, a crença é infundada, pois não se deve assumir que a condição de deficiência por si só, preveja o comportamento sexual).
Por outro lado, as aspirações sociais e sexuais de pessoas com deficiência não são diferentes dos seus pares (pois apesar do isolamento social que muitos deficientes vivenciam, estudos demonstram que a maioria destes jovens gostariam de ter relações sexuais, de casar e de ter filhos).

Deficientes Ligeiros

Os denominados deficientes ligeiros são aqueles que levantam mais questões, isto porque estão mais próximos em termos de comportamento e de desenvolvimento dos chamados “normais”; por outro lado expressam melhor as suas necessidades e vivem mais em sociedade.
Por viverem mais em comunidade estão expostos aos mesmos perigos, estímulos e pressões que as outras crianças e jovens “normais”. Geralmente todos perguntam: “Porque não posso casar ou namorar?”, “Quero ter filhos”, “Porque não vou a um bar?”, etc.
Para evitar situações embaraçosas como a masturbação em público ou até os abusos sexuais, este tipo de alunos com Necessidades Educativas Especiais devem beneficiar de uma intervenção ao nível da Educação Sexual, de forma a sensibilizá-los para situações que possam estar expostos assim como para comportamentos a ter em sociedade.
As pessoas indicadas para auxiliar o esclarecimento destes alunos, são os pais e os professores/educadores que acompanham os alunos diariamente. Contudo, muitos destes alunos apresentam por vezes sentimentos de solidão, privando-se das relações humanas.
Além disto verificam-se comportamentos superprotectores dos pais e dos educadores (colocando por vezes obstáculos que dificultam um melhor desenvolvimento, e por vezes a aprendizagem não é possível devido à incapacidade do sujeito, mas sim devido às condições em que ocorre o processo educativo); o percurso da maioria destes jovens (casa-escola) e o baixo investimento ao nível da auto-estima e da imagem corporal dos mesmos, também não é favorável a um desenvolvimento coerente.

Deficientes Profundos

Os deficientes profundos têm um grau de dependência dos outros bastante mais elevado (sendo a sua autonomia muito mais restrita).
A masturbação é o comportamento mais frequente deste grupo e o que maior embaraço causa a quem lida com estes jovens (embora se trate de um comportamento que é considerado hoje em dia como normal durante a puberdade e adolescência).
Contudo, falta no entanto ao jovem deficiente mental a capacidade de estabelecer barreiras entre os comportamentos que são considerados públicos e aqueles que são considerados privados.
Então, é necessário que desde muito cedo, se treine este tipo de questões, tal como acontece com o controlo dos esfíncteres, a alimentação, a higiene ou mesmo o local onde dormem.

Objectivos da Educação Sexual

Apesar das características específicas dos jovens com Necessidades Educativas Especiais, os objectivos da Educação Sexual não são muito diferentes dos estipulados para os alunos ditos “normais”.

Objectivos da Educação Sexual:

-Reforçar a auto-estima e valorizar a imagem corporal;
-Aumentar os conhecimentos sobre anatomia e fisiologia humanas;
-Criar habilidades de comunicação de sentimentos e necessidades sexuais;
-Promover atitudes positivas e não culpabilizantes face aos seus sentimentos e comportamentos sexuais;
-Reforçar a confiança nos seus próprios juízos;
-Facilitar o conhecimento dos riscos que poderão correr;
-Reforçar atitudes de entendimento e aceitação dos sentimentos e necessidades dos outros;

Conteúdos da Educação Sexual

Existem quatro grandes áreas, que variam consoante a etapa do desenvolvimento psicossexual dos alunos.
Assim:
- Corpo em crescimento;
- Expressões da sexualidade;
- Relações interpessoais;
- Saúde sexual reprodutiva.
Para desenvolver os conteúdos e objectivos de cada etapa temos que nos apoiar na psicologia do desenvolvimento; na programação curricular dos objectivos e conteúdos gerais; recursos materiais e humanos e características da população alvo.

Depois de ter isto em conta podemos definir os conteúdos a abordar, como por exemplo:

- Disfunções sexuais;
- Promoção da saúde sexual;
- Anatomia sexual e reprodutiva;
- Fisiologia da resposta sexual humana;
- Aspectos sócio–culturais na compreensão da sexualidade;
- etc.
Para que seja possível uma melhor definição dos conteúdos a aplicar em cada fase do desenvolvimento, apresentamos em seguida as características mais importantes das principais fases de desenvolvimento:

1 – Sexualidade na infância:

Nesta fase, a sexualidade assume características, tais como:
- Controlo dos esfíncteres;
- Inespecificidade do desejo e do prazer;
- Início da integração social;
- Indissociação do prazer e dos afectos;
- Até aos 2 anos o prazer centra-se em aspectos sensório-motores;
- Após os 2 anos, as relações de apego adquirem novas formas; - Interesse pelas diferenças anatómicas entre os sexos;
- A moral sexual é exterior à criança, limitando-se a imitar as normas dos adultos;

2 – Sexualidade na latência:

Esta Fase ocorre entre os 8 e os 12 anos de idades tem como principal característica o facto de a sexualidade neste período parecer estar adormecida:
- Desenvolvimento a nível intelectual;
- Autonomia motora e relacional;
- Aceitação da moral sexual;
- Inibição da expressão da sexualidade, pudor com o corpo;
- As experiências sexuais ocorrem num contexto lúdicas;
- A identidade sexual reconhece-se como estável ao longo do tempo e diferenciada dos papéis do género;
- Algumas modificações corporais anunciam a chegada da puberdade.

3- Sexualidade na Adolescência:

Esta Fase começa por volta dos 12/13 anos e estende-se até cerca dos 18 anos.
É Marcada por mudanças qualitativas no desenvolvimento psicossexual: - Alterações a nível Físico;
- Capacidade reprodutiva;
- Vivência de sensações eróticas;
- Distanciamento da família e aproximação dos grupos de pares;
- Procura de identidade e de autonomia pessoal;
- Necessidade de conhecer o corpo; - A masturbação é predominantemente erótica;
- Descoberta de si próprio, por vezes assume a experimentação sexual no grupo de iguais;
- Testar intenso das sensações físicas e afectos;
- Consolidação da orientação sexual;
- As relações sexuais e afectivas são questionadas e dimensionadas em torno de aspectos como a intimidade, o amor e o compromisso;

Tipos de Educação Sexual:

-Educação Sexual Informal
Esta assenta sobre as nossas próprias vivências quotidianas, e ocorre de forma espontânea, não programada, promovida pelas figuras que são para nós significativas: país, amigos, etc.
Os Pais são agentes educativos importantíssimos, uma vez que representam, para os seus filhos figuras de apego e de identificação, pelo que possuem um papel preponderante no processo de aquisição da identidade sexual e do papel do género.
A par dos livros, os pares constituem a principal fonte de informação em matérias de sexualidade.
A sua forte influência deve-se à proximidade das idades e dos interesses.
Os Media são também uma grande influência na criança (por vezes constituem um agente negativo).

Em suma, existem diversos modelos de aprendizagem de sexualidade:

- Modelos reais: pais e pares;
- Modelos intermediários: vestuário, jogos, actividades, e pinturas;
- Modelos exemplares: heróis, santos, figuras públicas.
Assim a Educação Sexual formal e intencional é necessária pois desempenha um papel importante para o desenvolvimento da personalidade das crianças/jovens, assim como contribui para colmatar algumas faltas da Educação Sexual Informal.

-Educação Sexual Não Formal e Formal

Esta refere-se a um processo sistemático desenvolvido por profissionais de forma intencional.

1- Educação Sexual Formal:

Consiste num processo intencional e programado de acordo com os elementos básicos do currículo (objectivos e conteúdos gerais, objectivos e conteúdos específicos, planificação das actividades e avaliação da aprendizagem).
Desenvolvendo-se no âmbito do sistema educativo, onde o professor e a escola são assumidos como meios educativos ideais. Em suma, a educação sexual formal pode assumir uma forma disciplinar ou inter e transdisciplinar.

2 - Educação Sexual não Formal:

Esta Destina-se a corrigir erros ou insuficiências da Educação Sexual Informal e Formal, e desenvolve-se no contexto extra curricular, quer na própria escola, quer paralelamente ao sistema educativo. Esta é levada a cabo por agentes alternativos aos professores.
Neste caso, os conteúdos da educação sexual são dados de forma mais rápida e superficial, o que faz com que não seja percebida como área de interesse para todos.

Reflectindo

Os avanços da medicina e os avanços ao nível social que os deficientes mentais têm alcançado nos últimos tempos têm sido muito significativos. Actualmente, alguns dos deficientes mentais são capazes de viver integrados na comunidade, estando expostos a riscos, liberdades e a responsabilidades.
A Educação Sexual é cada vez mais uma necessidade nas escolas. (Quer do Ensino Especial ou do Ensino Regular). Desta forma, é necessário um trabalho conjunto entre Encarregados de Educação, Professores, Média e todos os outros intervenientes na Educação da Criança) jovem, no sentido de Possibilitar um maior esclarecimento nesta área, Favorecendo assim um desenvolvimento mais harmonioso e saudável.

Autoria: Pedro Santos (Professor)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Freud e o Modelo Psicanalítico





Sigmund Freud (1856 – 1939)

Nasceu em Freiberg no antigo Império Austro-Húngaro, hoje Pribor na República Checa, em 1856 e até aos 22 anos, chamou-se Sigismund.
Formou-se em Medicina, especializando-se em Neurologia e Psiquiatria.
Estudou com os maiores psiquiatras europeus de então – Charcot e Breuer, que utilizavam a hipnose com método terapêutico, Freud começou por fazê-lo, mas acabou por elaborar um novo processo psicoterapêutico, que se tornou simultaneamente uma Teoria da Personalidade e uma concepção cultural global – a Psicanálise.

A sua “descoberta” da sexualidade infantil foi considerada escandalosa (afinal os “anjinhos” não podiam ter sexo), bem como a atribuição de dinâmicas de “perversidade” às crianças, tidas, ainda hoje, pelo senso comum como absolutamente “inocentes”.

É com Copérnico e Darwin um dos maiores “destruidores” do Antropocentrismo (a concepção que faz do Homem o centro de tudo). Na verdade Copérnico tirou-nos do centro do Cosmos (ao desmentir o Geocentrismo), Darwin fez-nos descender do “macaco” (ao defender a Evolução de todas as espécies, incluindo a nossa) e Freud retirou o primado da consciência aos nossos actos (atribuindo uma grande parte deles ao Inconsciente).

Para além disso afirmou-nos como impulsionados pela “Libido” (desejo sexual), coisa que hoje ninguém desmente mas no tempo de Freud, em plena “Era Vitoriana” em que as pessoas, no mundo dito civilizado, se tapavam dos pés à cabeça, não seria muito fácil assumir.

Depois de uma vida cheia de sucesso e reconhecimento internacional e de ver a sua teoria consagrar-se como uma das chaves do pensamento contemporâneo, acabou por deixar a sua querida Viena de Áustria, já idoso e padecendo de cancro, para fugir ao avanço nazi, uma vez que era de origem judaica e os seus livros já tinham sido queimados e proibidos na Alemanha em 1933. Acaba por falecer, em Londres, em 1939.



António José Ferreira